quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O toque de Midas

Era uma vez um rei muito rico chamado Midas. Ele possuía mais ouro do que qualquer outro no mundo inteiro, mas ainda assim não estava satisfeito. Nada o deixava mais feliz do que conseguir acrescentar um pouco mais à sua riqueza. Mantinha-o todo guardado em enormes cofres nos subterrâneos do palácio, e passava muitas horas por dia contanto e recontando seu tesouro.

O Rei Midas tinha uma filhinha chamada Áurea. Amava-a com verdadeira devoção, e dizia: "Ela será a princesa mais rica do mundo!"

Mas a pequena Áurea nem se importava com isso. Adorava seu jardim, as flores e o sol, mais do que a riqueza do pai. Ficava sozinha a maior parte do tempo, pois o pai estava sempre ocupado, buscando novas formas de conseguir mais ouro, e contando o que já possuía, de tal sorte que quase nunca tinha tempo para contar-lhe histórias ou passear, conforme deveriam fazer todos os pais.

Um dia, o Rei Midas estava na sala do tesouro nos subterrâneos do castelo. Havia trancado as pesadas portas do aposento e aberto os enormes baús. Despejou todo o conteúdo sobre a mesa e pôs-se a brincar com o ouro como se o simples toque o deixasse satisfeito. Fazia-o escorrer entre os dedos e sorria ao ouvir o tilintar das peças, qual doce melodia. De repente, uma sombra se projetou sobre a pilha de objetos. Ao levantar os olhos, deu com um estranho trajando roupas brancas brilhantes e sorrindo para ele. Soergueu-se, surpreso. Não se esquecera de trancar as portas! O tesouro, então, não estava seguro! Entretanto, o estranho continuou sorrindo.

- Vossa Excelência tem muito ouro - disse ele.

- Tenho, sim - disse o rei -, mas é pouco comparado a todo o ouro que existe no mundo!

- Ora! Esse ouro todo não satisfaz a Vossa Excelência? - perguntou o estranho.

- Ora, essa! - respondeu o rei - Mas é claro que não estou satisfeito. Passo longas noites acordado planejando novas formas de conseguir mais. Gostaria de poder transformar em ouro tudo que toco.

- É isso que Vossa Excelência realmente deseja?

- Claro que sim! Nada haveria de deixar-me mais satisfeito.

- Pois o desejo de Vossa Excelência será atendido. Amanhã de manhã, quando os primeiro raios de sol adentrarem os aposentos, Vossa Excelência terá o toque de ouro.

Ao terminar de falar, o estranho desapareceu. O Rei Midas esfregou os olhos.

- Devo ter sonhado - disse ele -, mas como eu ficaria feliz se isso fosse verdade!

No dia seguinte, o Rei Midas acordou quando a primeira luz do dia se fez presente em seus aposentos. Esticou a mão e tocou as cobertas da cama. Nada aconteceu. - Eu sabia que não poderia ser verdade - exclamou, desapontado. Naquele exato momento, entraram pelas janelas os primeiros raios de sol. As cobertas onde estava encostada a mão do rei transformaram-se em ouro puro. - É verdade! É verdade! - gritou ele, muito contente.

Saltou da cama e correu pelo aposento tocando em tudo que havia. O manto real, os chinelos, os móveis, tudo virou ouro. Foi até a janela e olhou para o jardim de Áurea. - Vou fazer-lhe uma boa surpresa - disse ele. Desceu ao jardim e tocou todas as flores da filha, transformando-as em ouro. - Ela ficará muito satisfeita - pensou.

Voltou aos seus aposentos para aguardar a chegada do café da manhã; e dispô-se a retomar a leitura da noite anterior, mas assim que suas mãos tocaram o livro, o objeto se transformou em ouro maciço. - Não posso ler, assim - disse o rei -, mas, ora, é bem melhor ter um livro de ouro.

Naquele exato momento, um criado entrou nos aposentos, trazendo-lhe o café da manã. - Que beleza! Vou começar pelo pêssego, que está vermelhinho de tão maduro.

Pegou-o então, mas, antes de conseguir comê-lo, já se havia transformado num pedaço de ouro. O Rei Midas o colocou de volta no prato. - É muito bonito, mas não posso comê-lo! - disse ele. Pegou uma broa de pão, mas também ela se transformou em ouro. Colocou a mão no copo d'água, mas tudo virava ouro. - O que vou fazer? Tenho fome e sede. Não posso comer nem beber ouro!

E logo a pequena Áurea entrou em seus aposentos. Ela estava chorando, muito sentida, e trazia nas mãos uma das rosas.

- O que houve, filhinha?

- Ah, papai! Veja o que aconteceu com minhas rosas! Estão todas duras e feias!

- Ora, são rosas de ouro, filha. Você não acha que estão mais bonitas agora?

- Não - disse ela, soluçando. - Não têm mais o agradável perfume que tinham. Não crescerão mais. Gosto de rosas vivas.

- Não se preocupe - disse o rei -, venha tomar seu café.

Entretanto, Áurea percebeu que o pai não comia, e que estava triste. - O que houve, meu querido pai? - perguntou ela, aproximando-se. Deu-lhe um abraço, e ele a beijou. Mas, de repente, o rei soltou um grito de pavor. Ao tocá-la, o lindo rostinho transformou-se em ouro brilhante, os olhos não viam mais, os lábios não conseguiram beijá-lo também, os bracinhos não o estreitaram. Deixou de ser uma adorável e carinhosa menina; transformara-se numa estatueta de ouro.

O Rei Midas baixou a cabeça e os soluços o sobrepujaram.

- Vossa Excelência está feliz? - alguém perguntou. O rei levantou a cabeça e viu o estranho de pé a seu lado.

- Feliz! Como te atreves a perguntar uma coisa dessas? Sou o homem mais triste na face da terra! - disse o rei.

- Vossa Excelência tem o toque de ouro. E isso não basta?

O Rei Midas não tornou a olhar para o estranho, nem respondeu.

- O que Vossa Excelência prefere: comida e um copo d'água fresca ou essas pedras de ouro? - disse o estranho.

O Rei Midas não conseguiu responder.

- O que prefere ter, ó Majestade? Aquela estatueta de ouro ou uma menina que pode correr, rir e amá-lo?

- Ah, devolva-me minha filhinha Áurea e eu abdicarei de todo o ouro que tenho! - disse o rei. - Perdi a única coisa que realmente me valia ter.

- Vossa Excelência demonstra agora mais sabedoria do que antes - disse o estranho. - Vá mergulhar no rio que passa nos fundos do jardim, e depois leve um pouco da água para jogar sobre tudo aquilo que deseja ter de volta ao normal.

O estranho, então, desapareceu.

O Rei Midas levantou-se rapidamente e foi correndo até o rio. Mergulhou, pegou um bocado de água e retornou ao palácio. Jogou-a sobre Áurea e as cores voltaram a iluminar seu rosto. Ela tornou a abrir os olhinhos azuis. - Ora, papai! - disse ela - O que aconteceu?

Chorando de alegria, ela a pegou no colo.

Depois disso, o Rei Midas nunca mais se preocupou com ouro algum, a não ser o ouro que existe no brilho do sol e nos cabelos da pequena Áurea.


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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

*ALGUMAS DICAS PARA SER FELIZ*

1.- Busque sempre à Verdade
2.- Diga sempre a Verdade
3.- Aja sempre corretamente
4.- Respeite as outras pessoas
5.- Reconheca no Mundo Material o Espíritu Divino
6.- Intente evoluir Interiormente
7.- Observe a sua Natureza e desenvolva a sua Divinidade
8.- Reconheça que na vida sem Conciência não há Sentido
9.- A sua mente pode ser melhorada
10.- O seu corpo é suceptível de ser desenvolvido
11.- O corpo é um instrumento de expresão da Mente e do Espíritu
12.- Alimente seu Corpo e sua Mente com alimentos de qualidade
13.- Seu corpo se alimenta de sólidos, liquidos e gaseosos,
porém a sua mente se alimenta de impresões
14.- Alimentos de má qualidade provocam doenças físicas
15.- Impresões e dados contaminados, provocam desequilibrios mentais
16.- Desenvolva um espíritu auto-observador
17.- Desenvolva uma visão externa objetiva
18.- Não faça coisas contraditórias que causen desequilibrio interno
19.- Existe um ponto de equilibrio em nos em donde acha-se a Harmonia
20.- Entenda que a Harmonia Interna é nosso maior tesoro
21.- A Perfeita Harmonia traz em si a Paz Perfeita
22.- Entenda que a Verdadeira Paz é a Verdadeira Força
23.- Mantenha-la sempre em si
24.- Pois é essa Força que nos levará a Liberdade Interior

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Shissai Shozan escreveu no Tengu-geijutsu-ron

SINTESIS IMPORTANTES TESES DE SHISSAI

1.- A perfeiçào na arte das espadas consiste em dois componentes: a segurança técnica e o entendimento espiritual. Ambos devem formar uma unidade,
e são inalienavelmente independentes.
2.- A compreensào espiritual se manifesta na “naturalidade do coração”. Quem pratica a arte das espadas deve corresponder, espontaneamente, à eventual situação, sem se irritar de modo algum por qualquer sentimento ou intenção. A reação deve seguir-se de imediato, como o espelho reflete uma imagem. E não deve apegar-se à situação.
3.- Essa absoluta franqueza diante a situaçào só é alcançável quando os componentes individuais da constituçào psicofísica (Princípio, fluido e coração) têm condições de se desenvolverem sem restrições. Pode-se exercer influência sobre esse processo por intermédio da prática.
4.- Contudo, a perfeita arte das espadas, alcançada através da segurança téctica e da plenitude espiritual no sentido mencionado, não é um valor em si. É preciso que seja praticada em uníssono com as principais éticas básicas da humanidade, da moral e da lealdade. Só tem valor na medida em que é proveitosa para a sociedade e para o Estado. Por negar esses valores, o budista não pode ser um verdadeiro mestre da arte da espada.* O domínio dessa arte está restrito a quem segue a trilha de Confúcio e, portanto, o caminho do Universo.

* comentário preconceituoso, na época a escola confucionista nutria grande rivalidade em relaçào aos budistas na época em que o texto foi redigido.(século XVII)

Albert Einstein disse...

"Para tornar-se impecável membro de um rebanho, é preciso ser um carneiro"

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O Guerreiro

Um guerreiro pensa na morte quando as coisas ficam confusas. Só esse pensamento é capaz de temperar o espírito e a vontade. O modo mais eficaz de viver é como um guerreiro; ele pode preocupar-se antes de tomar uma decisão, mas, uma vez tendo eleito o que fará, vai atê o final e não se preocupa com o que podia ter escolhido. Sempre haverá um milhão de decisões esperando por ele, e o guerreiro deve concentrar toda sua inteligência no que está acontecendo, e nunca no que podia ter acontecido.
Um guerreiro vive quando está agindo, e não quando está pensando agir.

Cada vez que um homem se propõe a viver intensamente sua vida, mesmo sabendo do esforço que isso requer, deve ter em conta que-por mais terrível que seja o encontro consigo mesmo- é ainda mais terrível o desencontro com sua própia alma. Nesse caminho, ele irá encontrar gente que não compartilha de sua busca; ficar irritado com essas pessõas significa dizar que os outros são capazes de interferir no destino de um guerreiro. Isso não pode acontecer; o homem que busca o conhecimento tem um compromisso com o infinito, e nada mais.
Qualquer coisa é um caminho entre um milhão de caminhos. Portanto um guerreiro sempre deve ter em conta que, se não está naquela trilha que deseja seguir, não pode permanecer alí. Sua decisão de permanecer ou abandonar seu caminho deve ser tomada sem medo nem ambição.Deve observar cada atitude sua e se perguntar: esse caminho tem coração?
Todos os caminhos são iguais: não levam a nehuma parte. Entretanto um caminho sem coração não é agradável, e um caminho com coraçào é muito mais fácil de seguir; o guerreiro se apaixona por ele e o transforma em seus própios passos.

Carlos Castañeda

El Guerrero

Un guerrero piensa en la muerte cuando las cosas están confusas. Solo ese pensamiento es capaz de templar el espiritu y la voluntad. El modo mas eficaz es vivir como un guerrero;el puede preocuparse antes de tomar una decision, mas, una vez habiendo elegido lo que hará, va hasta el final y no se preocupa con lo que podría haber escogido. Siempre habrá un millon de decisiones esperando por el, y el guerrero debe concentrar toda su inteligencia en lo que está sucediendo, y nunca en lo que podria haber sucedido.
Un guerrero vive cuando está actuando, y no cuando está pensando en actuar.
Cada vez que un hombre se propone a vivir intensamente su vida, mismo sabiendo del esfuerzo que eso requiere, debe tener en cuenta que- es aún mas terrible el desencuentro con su propia alma. En ese camino, él irá a encontrar gente que no comparte su búsqueda; irritarse con esas personas significa decir que los otros son capaces de interferir en el destino de un guerrero. Eso no puede suceder; el hombre que busca el conocimiento tiene un compromiso con el infinito, y nada mas.
Cualquier cosa es un camino entre un millón de caminos. Por lo tanto un guerrero siempre debe tener en cuenta que, si no está en aquel sendero que desea seguir, no puede permanecer alli. Su decisión de permanecer o abandonar su camino debe ser tomada sin miedo ni ambición. Debe observar cada actitud suya y preguntarse: Ese camino tiene corazón?
Todos los caminos son iguales: no llevan a ninguna parte. Mas, un camino sin corazón no es agradable, y un camino con corazón es mucho mas fácil de seguir; el guerrero se apasiona por él y lo transforma en sus propios pasos.

Carlos Castañeda

terça-feira, 12 de junho de 2007

Leal até a morte

Um samurai que presta seus serviços tem uma grande dívida para com o seu senhor e chega a pensar que apenas com dificuldade poderá devolver o pagamento, exeto cometendo "junshi"(Suicidio voluntário do samurai por ocasão da morte do seu senhor;essa prática parte do princípio de que um samurai não deve servir a dois senhores em sua vida) e seguindo-o é a morte.
Mas isso nào está permitido por lei, e realizar somente o trabalho habitual está muito longe de ser o suficiente. O que resta? Um homem pode desejar ter a oportunidade de fazer algo que o permita sobressair-se mais que seus companheiros, dar sua vida e realizar alguma coisa e, se está decidido a fazer algo dessa natureza, é cem vezes preferível que leve adiante o "junshi",pois assim pode converter-se em salvador não só de seu senhor, mas também de todos os vassalos, companheiros seus, grandes ou pequenos, tornandose assim um personagem lembrado até o final dos tempos, como modelo de samurai em posse das três qualidades de Lealdade, Fé e Valor. Porém, sempre existe um espírito do mal que persegue a familia de uma pessoa de classe. E a maneira como fala mal desta familia consiste, em primeiro lugar, em causar a morte ( por accidente ou por epidemia) de algum jovem samurai entre os conselheiros hereditários ou entre os veteranos que possuem as três virtudes de um guerreiro e que prometem ser de grande valor no futuro em apoio de seu senhor, assim como beneficiar todo o clã. Essa perda é tida como um duro golpe. Assim, quando Arari Saemon, comandante dos samurais que serviam Takeda Shingen, caiu de seu cavalo e se matou muito jovem, aquilo foi considerado obra do espírito maligno de Takashi Danjo, que havia rondado esta casa durante muito tempo.
Em segundo lugar, esse espirito maligno incorporará um dos conselheiros, parentes mais velhos ou samurai ajudante, nos quais o senhor confia mais e que sào especialmente favorecidos, podendo enganar a mente do senhor e seduzi-lo para atuar injusta e inmoralmente.
Assim que seu senhor é desviado, esse samurai pode agir de seis formas diferentes. Em primeiro lugar, pode impedi-lo de ver ou ouvir algo e forçar os que estão trabalhando a nào demonstrar seus pontos de vista, ou inclusive, se for possível, fazer com que estes não sejam adotados, e geralmente considerando a si mesmo como único e indispensável, decidindo tudo por si própio. Em segundo lugar, percebe que algum dos samurai da casa parece promissor e provavelmente poderá ser útil a seu senhor, atuará de tal maneira que será transferido para outro local e mantido distante de seu amo. Ficarão perto do senhor somente aqueles com quem têm uma relaçào, que estão de acordo com ele, que o obedecem, respeitam-no e nunca o contradizem. Assim, impede seu amo de saber sobre a maneira estranha e dominante em que vive.
Em terceiro lugar, pode persuadir o seu senhor para que este tenha uma segunda esposa, com o pretexto de que não possui suficientes descendentes para garantir a sucessão e procura prostitutas para essa finalidade, sem averiguar de que família procedem, contanto que tenham boa apariência. Reunirá músicos e dançarinas no "buwa e samisen", que são essenciales para diverti-lo e tirá-lo do tédio. Se até um senhor que é naturalmente inteligente e forte é sucetível de ser estragado por fascinações femininas, quanto mais aqueles que naceram carentes dessas qualidades!.
E então o seu discernimento o abandonará e pensará somente na diversão, tornando-se cada vez mais dependente dela, de forma que depois estará totalmente entregue ao baile e ao jogo, seguindo inevitavelmente para as reuniões em que se bebe continuamente, de dia e de noite. Assim, chegará a passar todo o tempo nos aposentos das damas, sem pensar nos asuntos oficiais e administrativos e odiará a idéia de ter uma entrevista com seus conselheiros sobre esses assuntos. Conseqüentemente, tudo permanece nas mãos desse conselheiro diabólico, e dia a dia seu poder aumenta, enquanto que os outros se convertem em meras ausências, de lábios selados e semblantes encolhidos. Como resultado, a casa vai de mal a pior.
Em quarto lugar, como tudo é mantido em segredo, os gastos se incrementam e a entrada de dinheiro deve ser aumentada; portanto, as velhas normas sào abolidas, ditando-se outras novas, e coloca-se um espião por aqui e censura-se alguém por ali, os salários são cortados, de maneira que as categorias inferiores passam por grandes dificuldades sem que ninguém se preocupe com isso, enquanto seu senhor nada na abundância e vive no luxo. Assim, mesmo que nào seja dito nada em póblico, propaga-se entre os vassalos um grande descontentamento e, em pouco tempo, não existe um ser único que seja leal de coração a seu senhor.
Em quinto lugar, ainda que um "daimyo"seja nada mais nada menos que um perito no Caminho do Guerreiro, visto que um conselheiro diabólico provavelmente não se ocupará disso em uma época de paz e tranqüilidade como esta, não haverá interesse nos assuntos militares nem inspeções das tropas. E todos da casa estarão muito contentes em proseguir com essa atitude, e ninguém se preocupará com os deveres militares ou fará provisões adequadas de armas ou abatecimento de comida; estarão stisfeitos em deixar que as coisas sigam sozinhas, preocupando-se apenas com o presente. Assim, ninguém pensa, vendo a condição atual da casa, que seus antepassados haviam sido guerreiros de renome e que , se sebreviesse alguma crise e os surpreendesse sem preparação, haveria grande agitaçào e confusão e ninguém saberia o que fazer.
Em sexto lugar, quando o senhor se apega ao prazer, à bebida e às diversões, torna-se cada vez mais cheio de caprichos, até que a sua saúde seja afetada. Todos os eus vassalos estarào desanimados e carecerão de sinceridade, vivendo simplesmente o dia de hoje, sem ter qualquer tipo de ajuda para guiá-los; posteriormente, poderá acontecer algo ao senhor por causa da influência desse espírito diabólico.
Esse homem, que é tido como o mais baixo de todos, esse inimigo vingativo de seu amo e génio diabólico de sua casa, será certamente maldito por todo o clã, mais ainda assim não acontecerá nada, a no ser que que nove o dez deles, de comum acordo o acusem e o levem a juízo, com um monte de argumentos, sem ter de manchar as mãos. Mas, neste caso, o assunto não pode ser esclarecido sem que venha a público, e o senhor e sua casa serão submetidos a investigação, e todos os assuntos serão agravados e acabarão em uma sentença ditada pelo governo do Xogum. E, em todas as épocas, quando um daimyo, foi incapaz de manejar seus assuntos, sendo castigado pelo goberno, o resultado foi que esta casa chegou a seu fim. Como diz o velho ditado: "Quando o chifre fica visível, o boi é morto e quando os ratos são caçados, o templo é queimado". Assim, quando a casa do senhor é arruinada, seus vasalos ficam desmpregados, perdendo o seu medio de vida. Por isso, é melhor pegar esse grande ladrào de conselheiro que é o espirito diabólico da casa e esfaquer-lo ou arrancar a sua cabeça, colocando um fim a suas práticas corruptas. Então, ele deve diretamente cometer "Seppuku"( Suicidio por incisão do abdome, também conhecido como "harakiri"-era única saída para um samurai derrotado em duelo ou que tivesse ferido a sua honra com um ato indigno ou cometido uma falha imperdoável.).
Assim, não deixará nehúma brecha aberta para um juizo ou sentença e a pessoa de seu senhor não será manchada; portanto, todo o clã continuará vivendo com segurança e não haverá nehum problema aberto no império. E alguém que tem essa atitude é um modelo de samurai que trabalha cem veces melhor que aquele que pratica "junshi", visto que possui as três qualidades de Lealdade, Fé e Valor e transmitirá um glorioso nome à posteridade.

Extraido do Código do samurai de Daidoji Yuzan-Século XVI.